Aborto espontâneo desafia casais e mobiliza apoio emocional
- 28/04/2026
Especialistas e médicos orientam como deve ser o acompanhamento desses pais
O aborto espontâneo atinge milhares de mulheres todos os anos, muitas vezes, ainda no início da gestação. Um momento delicado, marcado por dor e recomeços.
Reportagem de Sidinei Fernandes
Imagens de Rodrigo Tedesco e Antonio Matos
Não há palavra que expresse o sentimento de uma mulher ao saber que em seu ventre pulsa uma nova vida. O corpo muda. “Aí quando ela sente. Existe um mistério muito grande. Aquela criança que ali surgiu, ela emite uma mensagem para o cérebro da mãe dizendo o seguinte: ‘Mamãe, eu estou aqui, não menstrue, ou seja, não sangre. Ficarei durante meses aí em sintonia com a mãe’.Então isso é muito lindo, é o mistério da vida”, contou o pediatra, Talmir Rodrigues.
Os sentimentos mudam, traz realmente uma sensação de muita felicidade. “Mas a felicidade ela não vem sozinha, ela vem também com preocupação”, falou a psicóloga e especialista em casais, Denise Miranda de Figueiredo.
As transformações envolvem o casal, a família, os amigos. O ventre materno nutre o sonho de uma família. Muitos planos são feitos para acolher o novo ser humano gerado a partir da vontade de Deus.
Mas o que acontece quando o sonho de ter um filho é suspenso de modo inesperado? A interrupção involuntária da gestação ou o abortamento materno espontâneo acontece até o quinto mês, segundo o Ministério da Saúde. Uma situação que ocorre com muita frequência, principalmente na primeira gravidez. Na literatura médica é classificado aborto espontâneo quando ocorre entre 20 e 22 semanas de gestação e quando o feto pesa até 500 g.
“Agora, as causas são muito variáveis e nós podemos dizer que há uma interação de causas. Mas as principais conhecidas são alterações genéticas cromossômicas que podem impedir o desenvolvimento normal do embrião, do feto. Em segundo lugar também processos infecciosos, não são tão raros e malformações do útero, do endométrio, alterações hormonais”, explicou a médica obstetra e ginecologista, Elisabeth Kipman.
“Então, até o segundo mês a gente ouve muitas vezes que a pessoa nem percebeu que estava grávida. Agora, do segundo mês para o terceiro mês, ainda ocorre, pode ocorrer e o percentual é mais ou menos de 15 a 20%, desse aborto que ocorre espontaneamente”, relatou o especialista.
Também não há legislação sobre o que fazer diante de uma interrupção involuntária. “Até 20 semanas sendo considerado aborto, não há na legislação uma obrigação de dar uma declaração de óbito. E aí aí a dificuldade para enterrar. Alguns dizem assim: ‘Nossa, eu abortei. E foi na hora que eu fui ao banheiro’, tamanho de 20 semanas, 22 é grandinho. Daí tem que levar no hospital, sim, é melhor”, retomou a médica.
Casais que passam por essa dolorosa experiência precisam de apoio para superar sentimentos como frustração, culpa, insegurança, medo e desespero. “Eu já ouvi muito assim, ‘eu sou mãe, eu continuo sendo mãe. Todo o meu ser está preparado e agora eu tenho o meu colo vazio’. Apoio médico, apoio psicológico e apoio espiritual. Se a mulher, se o casal tem esses três apoios, é menos dolorida a experiência do aborto espontâneo”, compartilhou a terapeuta familiar e diretora executia CERVI, Rose Santiago.
“Não existem culpados. Isso acontece, acontece com frequência. E o que é importante nessa hora é olhar e pensar o que a gente vai fazer com isso. Esse evento traumático vai nos unir ou vai nos afastar?”, analisou a psicóloga.
É um processo de luto e só quem já passou sabe a dor que é. “A primeira coisa que eu sempre digo é ter claro o objetivo desse casal. Se eles querem ser pai, se eles querem ser mãe, vamos restaurar essa esperança e vamos em busca disso, não abrirem mão dos seus sonhos, não abrirem mão da esperança de viver uma paternidade, uma maternidade”, concluiu ela.
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FONTE: https://noticias.cancaonova.com/igreja/aborto-espontaneo-desafia-casais-e-mobiliza-apoio-emocional/





