Ásia, Europa e África: viagens de Leão XIV em seu 1º ano como Papa
- 06/05/2026
Na Turquia, Líbano, Mônaco e quatro países africanos, Papa priorizou o desarmamento dos corações e a fraternidade em zonas de tensão global
Thiago Coutinho
Da redação

Chegada do Papa Leão XIV à Argélia na segunda-feira, 13 e abril / Foto: REUTERS/Guglielmo Mangiapane
O contexto de Igreja em Saída — tão propagado pelo saudoso Papa Francisco em sua Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho), publicada em 2013, seu primeiro ano de pontificado — tem sido uma premissa levada adiante por seu sucessor, o Papa Leão XIV. Em um ano de pontificado, o Pontífice realizou três viagens apostólicas, passando pela Ásia, Europa e África, tocando em realidades de conflito e levando a esperança e a proximidade do Sucessor de Pedro.
Em cada uma de suas viagens, Leão XIV se atentou ao foco da Igreja: a evangelização. Procurou levar palavras de conforto, união e, sobretudo, de paz. Em seu itinerário mais recente, visitou quatro países africanos em dez dias (13 a 23 de abril): Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Num continente marcado pela guerra e a fome, o Bispo de Roma priorizou a paz e a união em seus discursos. “A África é chamada, hoje, a dar uma contribuição decisiva à santidade e ao caráter missionário do povo cristão”, afirmou o Santo Padre ao final da missa no Estádio de Malabo, na Guiné Equatorial.
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A visita à África, é bom lembrar, era um desejo antigo do Sucessor de Pedro. “Agradeço ao Senhor que me permitiu realizá-la, como Pastor, para encontrar e encorajar o povo de Deus; e também vivê-la como uma mensagem de paz num momento histórico marcado por guerras e por graves e frequentes violações do direito internacional. Expresso o meu sincero agradecimento aos bispos e às autoridades civis que me acolheram e a todos os que colaboraram na organização”, disse Leão XIV na Audiência Geral de quarta-feira, 29 de abril, quando recordou a viagem há pouco concluída.
Falou ainda sobre a Argélia, berço de ninguém menos que Santo Agostinho, considerado um dos maiores filósofos, teólogos e doutores da Igreja Católica. “Assim, vi-me, por um lado, a partir das raízes da minha identidade espiritual e, por outro, a atravessar e a fortalecer pontes muito importantes para o mundo e para a Igreja de hoje: a ponte para a era fecunda dos Padres da Igreja; a ponte para o mundo islâmico; a ponte para o continente africano”, disse o Santo Padre.
Um sinal de paz
Sobre Camarões, Angola e Guine Equatorial, Leão XIV reforçou o discurso de paz. Em Bamenda, capital da Região Noroeste dos Camarões e uma das maiores cidades de Camarões, palco de diversos conflitos em solo africano, Leão XIV incentivou “a colaboração pela paz”. Além disso, o Sucessor de Pedro pediu por mais inclusão social e uma divisão mais equânime das riquezas produzidas pelo país.
“[É necessária] uma distribuição justa da riqueza, dar espaço aos jovens, vencendo a corrupção endêmica, promover o desenvolvimento integral e sustentável, combatendo as diversas formas de neocolonialismo com uma cooperação internacional visionária”, pontuou o Papa.
O Papa em Mônaco
Em 28 de março, o Papa Leão XIV fez uma visita de apenas um dia ao Principado de Mônaco, pequeno país localizado na zona costeira do Mediterrâneo, próximo à França. O segundo menor país do mundo — perde apenas para o Vaticano — tratou-se de uma visita marcada pela “cultura do encontro”, como classificou Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin
Em seu primeiro discurso, recebido pelo príncipe Alberto II, pela princesa Charlene e por autoridades civis e eclesiásticas, o Sucessor de Pedro falou sobre a forte relação entre a Igreja Católica e o povo monegasco. “Estou feliz por passar este dia com vocês e por ser, assim, o primeiro dos Sucessores do Apóstolo Pedro, nos tempos modernos, a visitar o Principado de Mônaco, uma Cidade-Estado que se distingue pelo profundo vínculo que a une à Igreja de Roma e à fé católica”, disse o Papa no início da visita de cortesia ao príncipe Alberto II.
No encontro com jovens, Leão XIV citou o Evangelho de João e a cruel sentença à qual Jesus Cristo foi imposto: a sentença de morte. “Justamente Ele, que veio ao mundo para nos libertar da condenação da morte, é condenado à morte. Não se trata de uma fatalidade, mas de uma vontade precisa e ponderada”, disse o Papa ao público jovem. Inspirando-se em Santa Devota e São Carlo Acutis, o Papa convidou jovens do Principado de Mônaco a uma vida de entrega e sentido profundo.
O Papa na Ásia
No Oriente Médio (de 27 de novembro a 2 de dezembro de 2025), o Santo Padre esteve em mais uma missão de paz: Líbano e Turquia, países que marcaram sua primeira jornada apostólica para fora de Roma. Na Turquia, em especial, o mote foi a celebração dos 1700 anos do Primeiro Concílio de Niceia, conferindo um caráter ecumênico à viagem.
Leão XIV fez questão de frisar: a paz é possível. “Queridos irmãos e irmãs, o que aconteceu nos últimos dias na Turquia e no Líbano ensina-nos que a paz é possível e que os cristãos, em diálogo com homens e mulheres de outras religiões e culturas, podem contribuir para a sua construção. Não esqueçamos que a paz é possível”, observou.
No Líbano, uma região marcada pela guerra, especialmente nos últimos anos, o Santo Padre centrou seu discurso na promoção da paz e do diálogo inter-religioso. Para o Pontífice, a presença da Igreja em territórios conflagrados não é apenas um gesto diplomático, mas uma urgência espiritual. Ao concluir sua passagem pela região, Leão XIV reforçou que a verdadeira estabilidade nasce da escuta mútua, exortando as lideranças locais a transformarem fronteiras de conflito em espaços de cooperação fraterna, consolidando a esperança como o principal alicerce para a reconstrução social.
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